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21 de Julho de 2003

SUA EMPRESA CRIA OU DESTRÓI VALOR?

Lauro Jorge Prado
Série Gestão Financeira

Clique aqui para baixar o artigo em formato pdf.

Criar valor em qualquer negócio é realmente difícil. As distorções dos valores apontados pelas ferramentas tradicionais levam a decisões erradas ou comprometedoras.

Algumas dessas decisões levaram muitas empresas partirem para fusões e aquisições, o que pode até ter levado a gerar valor, porém logo vem a acomodação dos negócios e tudo volta ao normal.

Então como poderemos identificar se uma empresa está gerando valor?
A resposta pode ser encontrada com a implantação de um sistema que isole as distorções e ao mesmo tempo não prenda a empresa, deixando seus gestores livres para pensar os aspectos gerenciais sem descuidar dos aspectos estratégicos e aqueles ligados aos acionistas.
Um dos melhores métodos que servem a este propósito é o "EVA", veja abaixo o que é e como ele funciona.

EVA(*) - ECONOMIC VALUE ADDED

O "EVA" - Economic Value Added (Valor Econômico Adicionado) é a mais direta medida para a criação de valor de riqueza em um negócio.

O EVA alinha de maneira precisa os interesses dos acionistas da empresa com os dos gerentes, de forma que livra a todos das distorções e caprichos das regras contábeis.


Eva é o ganho final depois de descontados os custos do capital utilizado para gerar os lucros. A diferença das medidas tradicionais (lucro, ganhos com ações, retorno sobre investimentos, retorno sobre o capital empregado, etc) é que o EVA não pode ser manipulado nem distorcido.
(*)EVA é marca registrada por Stern Stewart & Co.


O desafio então é explorar o EVA de forma efetiva para aumentar a verdadeira rentabilidade econômica. Isto requer três componentes:

Um sistema de indicadores
Um sistema de incentivos
Um sistema de administração financeira

Sem estes componentes, seria impossível dizer se um negócio esta tendo êxito ou não ao medir a obtenção de retorno sobre o capital através do tempo. Com esses elementos implantados de maneira apropriada os princípios do EVA conduzirão infalivelmente a empresa para frente, para cima, mesmo que os gerentes enfoquem em objetivos específicos.


Segundo seus criadores, o EVA é a maior e mais categórica medida de desempenho financeiro. As empresas inteligentes a nível mundial estão explorando o EVA para otimizar a criação de riqueza de seus acionistas, colocando como enfoque principal em todas as funções, relatórios, planejamentos e tomadas de decisão, principalmente com o mais novo método de avaliação estratégica "Balanced Scorecard"


Problemas com a avaliação tradicional


Tradicionalmente, são utilizados os seguintes parâmetros para determinar o valor de uma empresa:

Rentabilidade, a identificação de sobra de caixa
Lucro por ação - (EPS)
Preço por ação - (P/E)
Retorno sobre o capital - (ROE)
Retorno sobre o investimento - (ROI)
Retorno sobre os ativos líquidos - (RONA)
Retorno sobre o capital empregado - (ROCE)

O problema com essas medidas é que ela pode ser distorcida em curto prazo segundo os princípios contábeis geralmente aceitos. A situação se complica ainda mais em casos especiais como aquisições e fusões.

É por isto que se requer um método consistente e racional para valorizar um negócio, capaz de medir se a gerencia está ou não criando valor.


Alguns pontos do capitalismo têm complicado a valorização dos negócios, por exemplo:

a) A divisão entre a propriedade e o controle - Na maioria das empresas com ações em bolsa de valores, estas ações estão divididas entre milhares de acionistas, sem restrições, o controle e a administração é confiado aos gerentes profissionais. Isto é um problema, porque:

Os interesses do gerente não estão necessariamente alinhados com os dos acionistas.
Os gerentes sempre manipulam informações internas, que os acionistas não tem acesso de imediato.
Os acionistas querem maximizar os pagamentos de dividendos e a apreciação dos preços das ações, mesmo que os gerentes queiram maximizar suas oportunidades de receber bônus.

b) O intento de utilizar medidas contábeis para valorização.

A contabilidade está mal equipada para determinar o valor econômico atual da empresa em funcionamento. Os PCGA's (Princípios Contábeis Geralmente Aceitos) distorcem "legalmente" o verdadeiro valor de mercado de uma empresa.

Adicionalmente, as medidas contábeis podem ser distorcidas facilmente pela gerencia, para melhorar ou piorar os valores: Por exemplo, os lucros por ações (Earnig per Share - EPS), uma medida muito utilizada, pode ser distorcida da seguinte forma:

Reduzindo os gastos de pesquisa e desenvolvimento. Reduzindo os custos e aumentando os ganhos em curto prazo, porém compromete os novos produtos que serão necessários para o futuro.
Empurra mercadorias (Trade Loading): a prática de enviar mercadorias extras (mais do que a necessidade) a clientes, justo antes de finalizar o exercício contábil para aumentar a receita.
Os gerentes exageram nos gastos com reestruturações fazendo com que os lucros caiam abruptamente naquele período, porém nos períodos seguintes demonstram crescimentos excepcionais, inclusive se o negócio opera em níveis normais.
Os passivos futuros são subestimados, criando um fundo onde o objetivo é aliviado para estimular os ganhos no futuro.


Conclusão

Ao olhar para frente (futuro) o administrador que usa o método "EVA" de forma consistente, obterá informações que indicarão a verdadeira vocação da sua empresa em criar ou destruir valor, podendo assim gerir a empresa para frente e para cima.

Para saber mais veja artigo: 
Criação de Valor onde publico um exemplo prático do uso do método EVA.

LAURO JORGE PRADO
Pós-graduado em Controladoria e Finanças e em Planejamento e Gestão de Negócios e com especialização em Gestão Empresarial.
Atuou por mais de 15 anos na área de Planejamento Econômico e Financeiro da Norske Skog Pisa. Sendo ainda responsável por Contabilidade, Custos, Orçamento, Investimentos e Planejamento Estratégico.
É instrutor free-lance nas disciplinas de finanças (custos, orçamento, planejamento, marketing, etc).
É professor de Curso Técnico Pós-médio: Gestão Empreenderora, nas disciplinas: Finanças , Contabilidade, Marketing e Planejamento Estratégico
É pesquisador nas áreas de planejamento estratégico e custos.
É consultor nas áreas de gestão empresarial, custos, orçamento e planejamento estratégico, através de sua empresa: SuGestão Consultoria e Assessoria.
Autor do e-Book Guia de Custos e do e-Book Guia Balanced Scorecard
Mantém o site: http://lauroprado.tripod.com/ezine/ - Site LJP e-Zine A Revista Eletrônica da Gestão

By LJP - 2003